18 05 - Agenda

Ellen Oléria traz o afrofuturo na palma da mão

O novo ciclo de Ellen Oléria já começou – tem a ver com a mudança para São Paulo, prestes a completar um ano e, principalmente, com a chegada do aguardado “Afrofuturista” (independente). Aos poucos, a metrópole vai cabendo na palma da sua mão e escancarando as suas trilhas urbanas e sonoras. Das 20 músicas gravadas, 13 foram escolhidas para o álbum, terceiro solo que, contando com os discos das bandas Soatá e Pret.utu, vira o quinto da carreira desta artista de 33 anos que canta, compõe, toca violão e guitarra e ainda é atriz formada pela Universidade de Brasília (UnB).

O público baiano terá quatro noites para conhecer o novo show de Ellen Oléria: entre os dias 26 e 29 de maio (de quinta a sábado, às 20h, e no domingo, às 19h), ela cantará na CAIXA Cultural Salvador, com ingressos a populares R$ 8. No dia 25 de maio, Ellen e Poliana Martins estarão à frente da oficina de rimas e poemas “Vou aprender a ler pra ensinar meus camaradas”, gratuita, com número limitado de vagas, a fim de desenvolver o tema do espetáculo em conexão com expressões da oralidade, como o hip hop e os cancioneiros populares brasileiros. A realização é da produtora Janela do Mundo, em parceria com a Carne Dura Produções, com patrocínio da CAIXA e do Governo Federal.

A estética da nova bolacha tem muito a ver com a leveza da produção de Felipe Viegas e o toque certeiro de alabê do baiano Gabi Guedes, percussionista da Orkestra Rumpilezz; nasceu junto com os versos afiados de Roberta Estrela D’Alva e o vozeirão da cubana Yusa; traz a sonoridade das alfaias de Seu Estrelo e o Fuá de Terreiro e a plasticidade dos arranjos de Pedro Martins. O disco foi todo gravado em Brasília, onde a cantora viveu até outro dia e que aplaude a sua música desde o bê-a-bá. “A nave”, por exemplo, fala de uma cidade em movimento e remete ao avião que dá forma ao Plano Piloto, com as suas asas Norte e Sul. Ellen está fixando o microfone no concreto paulistano, mas sabe que, a qualquer momento, pode voltar. “Quero viajar mais uma vez pilotando a nave”, avisa o refrão.

“A gente tá falando de rotas e raízes, identidade, pertencimento. Por isso, o nome do disco não é qualquer futurismo, é um afrofuturismo. Não bélico, soror e solidário, mas baseado no conceito mais revolucionário que conheci na vida: o amor”, diz. Esperançosa, cita um texto de Mateus Aleluia, cantor integrante do legendário grupo Os Tincoãs e pesquisador incansável, para explicar o que narra em ritmo de samba, afoxé, maracatu, carimbo e um forró caribenho: “Nós somos a descendência e nós somos também a ancestralidade. Somos a herança e também a promessa. É a verdadeira volta, uma espiral-ouróboros, porque é como se fosse a cobra mordendo a própria cauda. Quando fala no ancestral, a gente fala também em quem há de vir. Aquilo que é e que já foi. Essa é a nossa forma ancestral de existir”.

Antigamente, as músicas ganhavam fama e caíam nas graças do público que batia ponto nos saraus para, só então, serem gravadas. “Afrofuturista” tem mais esse trunfo. Ellen vem testando (“Alô, alô, som!”) essa coleção há algum tempo e selecionou para a bolacha exatamente o que queria, o que provou e sabe que funciona ao vivo, o que está com muita vontade de espalhar pelo planeta. “É muito gostoso ver nos shows que o povo já decorou esse repertório. Agora temos o disco e chegou a hora de mais gente, muito mais gente (risos), conhecer o trabalho”, fala, com brilho nos olhos e o timbre macio que o Brasil já conhece tão bem.

FICHA TÉCNICA

Ellen Oléria: direção geral, voz e guitarra

Flávio Silva: teclados

Douglas Couto: baixo

Davi Gomes: bateria

Gabi Guedes: percussão

Duração: 90 minutos

 

SERVIÇO

LOCAL: CAIXA Cultural Salvador (Rua Carlos Gomes, 57 – Centro)

DATAS: de 26 a 29 de maio de 2016

HORÁRIOS: de quinta-feira a sábado, às 20h00, e 19h00, no domingo

INGRESSOS: R$ 8,00 (inteira) e R$ 4,00 (meia) – à venda a partir do dia 26 de maio, às 9h.

INFORMAÇÕES: 71 3421-4200

CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: Não recomendado para menores de 12 anos

 

OFICINA

“Vou aprender a ler pra ensinar meus camaradas” (em Yá Yá Massemba, de Roberto Mendes e Capinam)

PÚBLICO-ALVO: jovens de 14 a 28 anos

DATA: 25 de maio de 2016

HORÁRIO: das 14h às 19h

INSCRIÇÕES: 23 a 25 de maio, a partir das 9h, na CAIXA Cultural Salvador

NÚMERO DE VAGAS: 20 vagas

PARTICIPAÇÃO GRATUITA

DURAÇÃO:  5 horas

OFICINEIRA: Ellen Oléria

OFICINEIRA CONVIDADA: Poliana Martins

NÃO HAVERÁ CERTIFICADO

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